O iPhone pode estar prestes a passar por sua maior transformação em anos. A expectativa é que, no dia 9 de setembro, durante seu principal evento anual, a Apple revele um novo modelo mais fino — possivelmente batizado de iPhone Air — junto com o iPhone 17 e os novos modelos do Apple Watch.
Se confirmada, essa será a maior mudança de design do carro-chefe da Apple desde o lançamento do iPhone X, em 2017, que eliminou o botão home e introduziu o Face ID. Diferentemente daquela época, porém, o novo iPhone Air pode não sinalizar uma nova era tecnológica, mas sim diversificar a linha para atender usuários que buscam um dispositivo com perfil diferente.
Embora as vendas do iPhone continuem sólidas, conforme apontado no relatório financeiro da Apple de julho, os consumidores estão cada vez mais seletivos na hora de trocar de aparelho. Segundo a Consumer Intelligence Research Partners, os usuários só fazem upgrades quando percebem melhorias realmente relevantes.
Enquanto isso, concorrentes como Samsung e Google avançam com inteligência artificial (IA) em seus dispositivos. O Google, por exemplo, destacou seu assistente Gemini no lançamento do Pixel 10, com recursos como o Magic Cue, que sugere ações baseadas no uso do telefone. A Samsung fez o mesmo com o Galaxy S25, destacando funções de IA que automatizam tarefas complexas com um único comando de voz.
A Apple, por sua vez, deverá adotar uma abordagem mais cautelosa. Embora o CEO Tim Cook tenha enfatizado a importância da IA na última conferência de resultados, analistas apontam que os avanços da empresa nessa área ainda não estão prontos para o mercado. Recursos mais ambiciosos para a Siri, que a colocariam no mesmo nível do Gemini e do ChatGPT, foram adiados para garantir a qualidade exigida pela empresa.
Com isso, é provável que o foco do evento esteja em melhorias de hardware — como duração da bateria, câmeras e design — e em como a Apple vai lidar com possíveis aumentos de preços, impulsionados por tarifas e custos de componentes.
Preço como protagonista e desafio de posicionamento
Wall Street e os consumidores estarão atentos aos valores dos novos iPhones. Segundo analistas da Morgan Stanley e da Loop Capital, a Apple pode descontinuar modelos com menor armazenamento para incentivar a compra das versões mais caras — uma estratégia que ajudaria a compensar custos mais altos. Porém, como observa o analista Runar Bjørhovde, quando o preço se torna o foco principal, o produto pode acabar ofuscado.
As tarifas herdadas do governo Trump também aumentam a pressão para que a Apple não altere drasticamente seus preços, especialmente nos Estados Unidos. Isso faz com que a decisão de preços seja um possível indicativo das estratégias da empresa para os próximos anos.
Tentativas e ajustes na linha de produtos
A Apple tem tido dificuldades para manter um quarto modelo de iPhone que se destaque. O iPhone Mini foi descontinuado após duas gerações, e agora tudo indica que o iPhone Plus será substituído pelo novo Air. Segundo a Bloomberg, esse modelo pode ter apenas uma câmera, o que o tornaria menos atrativo em comparação com outros da mesma linha.
Além disso, o design fino pode não ser suficiente para convencer consumidores que estão segurando seus smartphones por mais tempo antes de atualizá-los. A Samsung, inclusive, já se adiantou com um modelo ainda mais fino: o Galaxy S25 Edge.
Ainda assim, a marca “Air” tem histórico de sucesso. Modelos como o MacBook Air e o iPad Air foram bem recebidos pelo público, o que reforça o otimismo de analistas como Dipanjan Chatterjee, da Forrester, de que o iPhone Air também poderá encontrar seu público.