Um estudo recente aponta que as ferramentas de segurança do Instagram, destinadas a proteger adolescentes, são ineficazes e falham em blindar os jovens contra conteúdos nocivos. Perfis de teste simulando usuários menores de idade continuaram a receber recomendações de publicações sobre suicídio, automutilação e distúrbios alimentares, além de incentivos a comportamentos sexualizados.
A Meta, empresa proprietária do Instagram, nega as conclusões do estudo e assegura que os recursos funcionam para mitigar riscos. No entanto, especialistas e entidades de proteção à infância afirmam que as falhas reveladas reforçam a necessidade de leis mais rígidas que responsabilizem as plataformas digitais.
Detalhes da Pesquisa e Exposição a Riscos
O estudo, conduzido pelo centro Cybersecurity for Democracy em parceria com grupos como a Molly Rose Foundation, analisou 47 ferramentas de segurança para adolescentes no Instagram. O resultado foi alarmante: 30 delas foram consideradas ineficazes ou extintas, nove apresentaram limitações e apenas oito funcionaram corretamente. Isso sugere que os jovens ainda conseguem ter acesso a conteúdos que a própria plataforma alega banir.
Entre os problemas mais graves identificados estavam:
- Postagens que descrevem atos sexuais degradantes.
- Sugestões automáticas de buscas relacionadas a suicídio, automutilação e transtornos alimentares.
- Interações onde adolescentes eram incentivados a publicar conteúdos que atraíam comentários sexualizados de adultos, inclusive com crianças que aparentavam ter menos de 13 anos.
Para os especialistas, esses achados revelam uma falha estrutural na segurança do Instagram. Andy Burrows, da Molly Rose Foundation, afirmou à BBC que os problemas indicam uma “cultura corporativa que coloca engajamento e lucro acima da proteção“. A fundação foi criada após o suicídio, em 2017, da adolescente britânica Molly Russell, que teve contato frequente com conteúdos nocivos nas redes.
Contraponto da Meta e Pressão Regulatória
A Meta contestou o relatório, classificando-o como impreciso e não construtivo, e alegando que ele distorce o funcionamento de suas ferramentas. A empresa afirma que os recursos de segurança para adolescentes garantem proteções automáticas, reduzem a exposição a conteúdo sensível e oferecem controles parentais mais claros, e que muitos recursos apontados como extintos foram, na verdade, integrados a outras funcionalidades. Um porta-voz indicou à BBC que os jovens sob essas proteções tiveram menos contato indesejado, menos tempo de uso noturno e menor exposição a publicações de risco.
Enquanto o debate persiste, a pressão regulatória sobre as redes sociais se intensifica globalmente. No Reino Unido, por exemplo, o Online Safety Act obriga as plataformas a protegerem jovens de conteúdos que promovam automutilação e suicídio, forçando as empresas a assumirem responsabilidade pelo impacto que suas redes têm sobre crianças e adolescentes.
Atenção: A matéria acima inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure ajuda especializada. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24h por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.