Os documentos internos da Amazon, vazados e divulgados nesta terça-feira (21) pelo jornal The New York Times, revelam a ambiciosa estratégia da empresa para os próximos anos: substituir grande parte de sua mão de obra humana por robôs.
De acordo com o relatório, a automação visa evitar a contratação de mais de 600.000 pessoas nos Estados Unidos até 2033, mesmo com a previsão de que o volume de vendas da companhia dobre no mesmo período. A meta final é automatizar 75% das operações.
Essa estratégia, detalhada em documentos internos do último ano, projeta uma economia de cerca de 30 centavos por item processado, totalizando uma economia de US$ 12,6 bilhões entre 2025 e 2027. Os vazamentos também indicam táticas de comunicação para gerenciar o impacto negativo da perda de empregos, como evitar o uso de termos como “automação” e “IA”, preferindo “tecnologia avançada”, e aumentar a presença em eventos comunitários.
Em resposta ao The New York Times, a Amazon declarou que os documentos estão incompletos e não representam sua estratégia geral de contratação.
Metas e Escala da Automação
A magnitude dos planos é clara: a equipe de robótica da Amazon espera evitar a contratação de mais de 160.000 pessoas nos EUA até 2027, número que chegaria a mais de 600.000 até 2033. Essa redução na necessidade de mão de obra surge em um contexto de mudança sob a liderança do CEO Andy Jassy, que foca em eficiência e corte de despesas após um período de grande crescimento da força de trabalho. A automação é a peça central para “achatar a curva de contratação” e permitir o crescimento das vendas.
O Futuro dos Armazéns: Robôs em Ação
A Amazon planeja intensificar o uso de robôs em seus centros de distribuição. Um modelo é o armazém de Shreveport, Louisiana, que utiliza mil robôs e emprega 25% menos trabalhadores do que o modelo tradicional, com expectativa de reduzir a força de trabalho humana pela metade no próximo ano. A empresa planeja replicar esse design em cerca de 40 instalações até o final de 2027.
Armazéns antigos também serão reformados. Em Stone Mountain, Geórgia, por exemplo, a instalação de sistemas robóticos deve permitir que a unidade processe 10% mais itens, mas necessite de até 1.200 funcionários a menos dos atuais 4.000, com maior dependência de trabalhadores temporários.
Impacto Social e Posição da Amazon
Especialistas alertam que os planos da Amazon podem ter um impacto profundo nos empregos de baixa qualificação nos EUA e servir de exemplo para outras gigantes como Walmart e UPS. Daron Acemoglu, professor do MIT e Nobel de Economia, adverte que, se os planos se concretizarem, a Amazon, um dos maiores empregadores do país, se tornará “um destruidor líquido de empregos, não um criador líquido de empregos”.
A Amazon refutou a integralidade dos documentos e negou estar instruindo executivos a evitar certos termos ou que seu envolvimento comunitário seja apenas uma tática de relações públicas. A empresa destacou que planeja contratar 250.000 pessoas para a temporada de festas e que as economias obtidas com a automação são reinvestidas na criação de novos tipos de empregos, como os de técnicos de robótica, e em programas de capacitação.