O câncer é o resultado de mutações no DNA que levam ao crescimento e à multiplicação celular descontrolada. Contudo, identificar com precisão o que desencadeia essas anormalidades celulares representa um grande desafio para a ciência.
Para enfrentar essa questão, pesquisadores do EMBL Heidelberg, na Alemanha, desenvolveram uma nova ferramenta de Inteligência Artificial (IA), descrita em um estudo publicado na revista Nature, capaz de rastrear a origem dessas anormalidades.
MAGIC: A Ferramenta que Analisa Micronúcleos
O sistema, denominado MAGIC (sigla para o processo), combina microscopia automatizada, sequenciamento de célula única e IA para detectar e isolar células com características visíveis específicas.
Neste estudo, o foco dos cientistas foi nos micronúcleos, minúsculos compartimentos que abrigam uma pequena porção do DNA, separada do restante do genoma. A equipe descobriu que células que possuem micronúcleos são mais propensas a gerar novas anormalidades cromossômicas, aumentando, assim, a probabilidade de se tornarem cancerosas.
Como a IA Identifica Células Problemáticas
O processo de detecção e marcação é altamente automatizado:
- Captura e Análise: O MAGIC captura imagens de uma amostra de célula. Um algoritmo de aprendizado de máquina, treinado em dados de células com micronúcleos, verifica as imagens.
- Marcação a Laser: Ao detectar uma célula com micronúcleo, o algoritmo compartilha sua localização com o microscópio, que utiliza um laser para marcar o alvo permanentemente.
- Isolamento: As células marcadas podem ser facilmente separadas para uma análise mais detalhada e aprofundada.
Ao automatizar o que antes era um processo manual, lento e propenso a erros, o MAGIC permite estudar essas células em uma escala e velocidade inéditas. É possível analisar quase 100 mil unidades em menos de um dia, acelerando a busca por respostas sobre a origem do câncer que permanecem desconhecidas.